Atual realidade

Vivendo ainda a realidade e as consequências da pandemia seremos, cidadãs e cidadãos brasileiros, chamados às eleições no próximo mês. Elas são importantes porque escolheremos prefeitos e vereadores, as autoridades que estão mais próximas no dia a dia e na vida das pessoas em cada município. É grande o descrédito, justificado ou não, que as pessoas dedicadas à política encontram entre nós e neste ano precisaremos ainda estar atentos a outra realidade, não exclusiva das eleições, mas que têm sobre elas um grande impacto. Refiro-me às assim chamadas fake news.
Esta expressão da língua inglesa que vai se tornando popular entre nós outra coisa não é senão a velha e conhecida mentira. Mas, alguém poderia perguntar: se é assim, por que estão se disseminando tanto e tão facilmente? Para compreender melhor apoio-me na Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações de 2018. Ele lembrou que as notícias falsas nos seduzem porque “parecem” verdadeiras. E esta aparência de verdade, não raro é sustentada por preconceitos e estereótipos vigentes e aceitos num determinado contexto social.
A outra razão apresentada pelo papa já foi lembrada também por estudiosos e a mim parece ser a mais desafiadora. Ele recorda que estamos nos acostumando a interagir dentro de grupos homogêneos formados por pessoas que pensam como nós e nos quais não se admitem opiniões divergentes. O WhatsApp é bom exemplo disto. Quantas vezes, até em grupos de familiares, cria-se tamanho mal-estar e chega-se mesmo a excluir alguém por ter manifestado opinião sobre algum tema, seja político ou não. Ou então, no desejo de evitar o conflito, há assuntos que permanecem proibidos nestes espaços.
Se levarmos isto ao extremo, torna-se inviável a educação que só acontece quando houver confrontação honesta das opiniões, no respeito às pessoas, no diálogo sério numa busca sempre mais aprofundada da verdade. Isto não é fácil, pois é preciso aceitar que nem sempre a minha visão da realidade é a mais adequada e que só poderei crescer se me deixar questionar pela visão que as outras pessoas apresentarem.
Pe. João Masiero

 
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