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Por favor, alguém me escuta?

A escuta é esse cuidado pastoral de extrema urgência e muito evidenciado em tempo de pandemia.
Os séculos últimos trouxeram grandes transformações globais que refletem diretamente no comportamento humano. Junto com as conquistas e avanços tecnológicos em todos os sentidos, fruto da inteligência humana, vieram também os desafios e dificuldades ao ser humano. Nas últimas décadas, por exemplo, o crescente número da violência urbana, a corrupção institucionalizada, o medo, a insegurança. Os frutos do egoísmo, do fechamento em si mesmo, têm assombrado nossa geração. O que está acontecendo com o ser humano? O ser humano tem se mostrado cada vez mais angustiado, inquietude e na solidão. Ele é uma obra-prima do Criador, ou seja, algo de melhor na face da terra, mas este mesmo vem se destruindo. E gritando: ‘Por favor, alguém me escuta?’. Na rotina diária, infelizmente, é difícil encontrar alguém com algum tempo disponível para escutá-la. O contexto profissional exige aperfeiçoamento constante, o mercado de trabalho é cada vez mais competitivo e exigente. São
prioridades que absorvem todo o tempo das pessoas. 
Na visão criacionista, Deus criou o ser humano único e cada um traz sua história pessoal, com experiências e marcas. À luz da Bíblia, da história do Povo de Israel, percebe-se que o ser humano enfrenta crises, quando se afasta de Deus. O sofrimento psíquico e os seus difíceis caminhos de busca só podem ser tratados adequadamente quando se tem presente a situação humana no contexto mais amplo da fé. Dessa maneira, as pessoas necessitam ser escutadas com acolhida, atenção, empatia, sem julgamentos, como fazia o próprio Cristo. E, enquanto falam de si mesmas, a dimensão do problema diminui e surge sempre uma solução e paz interior ao viver. 
O Mestre de Nazaré inaugurou uma pastoral da escuta em seu tempo. Jesus fazia perguntas-chaves, do tipo maiêutico, como fez aos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35). Antes de respondê-las é preciso dar um profundo mergulho em si, e isso auxilia a encontrar-se consigo mesmo e a superar suas crises existenciais.
Por padre Judinei Vanzeto, jornalista, diretor administrativo Rádio Vicente Pallotti e pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida (PR)

 
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